Taxa de câmbio - Real valorizado, mas risco fiscal limita ganhos.
- 5 de jan.
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O dólar encerrou outubro cotado a R$ 5,38, com alta de 1,23% no mês,
mas ainda acumula desvalorização de cerca de 13% no ano.

Embora o ambiente externo favoreça a valorização do real, a fragilidade fiscal no Brasil continua sendo o principal fator de contenção. A ausência
de medidas efetivas de controle de gastos e os déficits recorrentes aumentam as dúvidas sobre o compromisso com o equilíbrio das contas públicas dentro do novo arcabouço fiscal.
A tentativa de zerar o déficit em 2025 enfrenta obstáculos, como a perda de receitas com a não aprovação da MP 1.303, que previa mudanças na tributação de investimentos e poderia gerar até R$ 20,9 bilhões em receitas, e o aumento de gastos sem compensações claras, o que elevou o risco fiscal e contribuiu para a volatilidade cambial. A cotação do dólar oscilou entre R$ 5,32 e R$ 5,49 ao longo de outubro, refletindo a cautela dos investidores diante do cenário doméstico e internacional.
A valorização acumulada do real ao longo de 2025 está fortemente associada aos ventos externos, especialmente ao ciclo de afrouxamento monetário iniciado pelo Federal Reserve (Fed). Ao reduzir os juros nos Estados Unidos, o Federal Reserve torna os ativos americanos menos atrativos em termos de retorno, o que estimula a realocação de capitais para economias emergentes como o Brasil, favorecendo o fluxo de dólares e, consequentemente, a valorização do real.
Em 2025, o Fed já realizou dois cortes de 0,25 ponto percentual, levando a taxa das fed funds para o intervalo entre 3,75% e 4,00%. A decisão reflete sinais de desaceleração da atividade econômica e do mercado de trabalho, além de uma inflação que, embora ainda elevada, mostra trajetória moderada. A autoridade monetária americana sinalizou mais um corte até o fim do ano, com a mediana das projeções apontando para 3,6% em 2025 e 3,4% em 2026.
Ainda no contexto da economia norte-americana, o prolongado shutdown do governo americano — paralisação temporária das atividades do governo dos Estados Unidos, geralmente causada pela falta de aprovação do orçamento federal pelo Congresso — gerou um apagão de dados econômicos essenciais, como os relatórios de emprego e inflação, dificultando a calibragem da política monetária e aumentando a incerteza sobre os próximos passos do Federal Reserve.
Portanto, é necessário considerar alguma frustração quanto ao corte de juros previsto em dezembro, o que poderia ocasionar uma valorização do dólar.
A estimativa para o fim de 2025 foi revisada de R$ 5,50 para R$ 5,40, acompanhando o enfraquecimento global do dólar diante o corte de juros nos Estados Unidos. No entanto, vale comentar sobre os riscos.
No cenário externo, o shutdown poderia implicar numa paralisação do corte de juros pelo Federal Reserve e alguma valorização do dólar, pressionando moedas emergentes.
No cenário doméstico, a pressão fiscal doméstica pode aumentar a volatilidade, sobretudo com a aproximação das eleições de 2026.
Taxa de inflação - Inflação desacelera, porém segue acima do intervalo de meta.
O IPCA avançou 0,09% em outubro, após a alta de 0,48% registrada em setembro. Trata-se da menor variação para o mês desde 1998, quando o índice subiu 0,02%. No acumulado de 2025, a inflação lcança 3,73%, enquanto, em 12 meses, desacelera para 4,68%, ainda acima da meta de 3% estabelecida pelo Banco Central.
A desaceleração mensal foi influenciada principalmente pelo grupo Alimentação e Bebidas, que apresentou leve alta e deixou de exercer pressão relevante sobre o índice geral. A alimentação no domicílio manteve trajetória de recuo, caindo 0,16% em outubro, beneficiada por safras recordes, valorização do real, menor demanda sazonal e ajustes após movimentos de alta observados em meses anteriores.
O grupo Habitação também contribuiu para o alívio inflacionário, devido à redução de 2,39% na energia elétrica residencial, resultado da mudança da bandeira tarifária de vermelha patamar 2 para patamar 1.
A revisão diminuiu o adicional cobrado por 100 kWh consumidos, de R$ 7,87 para R$ 4,46. Itens como aparelhos telefônicos (-2,54%) e seguro de veículos (-2,13%) reforçaram o movimento de desaceleração.
Entre os grupos que pressionaram o índice, destacaram-se Vestuário, impulsionado por aumentos nos preços de calçados e roupas femininas, e Saúde e Cuidados Pessoais, influenciado tanto pelo reajuste dos planos de saúde quanto pela elevação nos preços de artigos de higiene.






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