Duplicata Escritural: por que as empresas precisam se preparar para essa mudança
Entenda o que é Duplicata Escritural, o que muda para as empresas e como se preparar para o novo modelo de registro, crédito e gestão de recebíveis.

O mercado de crédito brasileiro está passando por uma transformação estrutural. Nos próximos meses, a Duplicata Escritural passará a fazer parte da rotina das empresas que operam vendas a prazo e utilizam valores a receber em suas estratégias financeiras.
À primeira vista, a mudança pode parecer apenas uma evolução tecnológica, ou seja, a substituição de processos descentralizados por um modelo digital e regulado. Na prática, porém, o impacto é mais amplo.
A Duplicata Escritural altera a forma como os títulos são formalizados, registrados, utilizados como garantia e reconhecidos nas operações de crédito. Isso cria uma dinâmica para empresas que dependem de eficiência operacional, governança financeira e acesso recorrente a capital.
Por esse motivo, o tema já está na agenda de áreas financeiras, operações de crédito, compliance e tecnologia de algumas das maiores empresas do país.
O que é a Duplicata Escritural
A Duplicata Escritural é um título de crédito emitido e mantido em formato eletrônico, registrado em ambiente autorizado pelo Banco Central.
Ela representa uma venda a prazo realizada entre empresas e passa a existir formalmente por meio de sistemas regulados de escrituração e registro.
Isso significa que a duplicata deixa de depender de controles isolados ou processos descentralizados para ganhar uma camada adicional de segurança, rastreabilidade e padronização.
O objetivo é aumentar a confiança sobre a existência, titularidade e histórico dos direitos creditórios utilizados no mercado.
O que muda para as grandes empresas
Após a mudança, a duplicata precisará estar registrada para existir formalmente dentro do novo ambiente regulatório. Isso impacta diretamente a forma como os recebíveis poderão ser utilizados em operações financeiras.
Empresas que trabalham com antecipação de valores a receber, garantias corporativas, crédito estruturado ou gestão avançada de capital de giro precisarão adaptar seus processos ao novo fluxo.
Essa mudança vai além de uma exigência regulatória, trata-se de uma mudança operacional que envolve diferentes áreas da organização.
Entre elas:
Financeiro
Crédito e cobrança
Compliance
Jurídico
Tecnologia
Governança de dados
Quanto maior o volume de recebíveis administrado pela empresa, maior tende a ser a relevância dessa adaptação.
Por que essa mudança está acontecendo
Historicamente, o mercado conviveu com desafios relacionados à fragmentação das informações sobre recebíveis. Em muitos casos, a mesma operação podia ser reportada de formas diferentes, dificultando validações, rastreamento e conciliações.
A Duplicata Escritural surge para fortalecer a confiabilidade do mercado por meio de três pilares:
Unicidade: cada título passa a possuir um registro formal, reduzindo inconsistências e ambiguidades.
Rastreabilidade: histórico das operações passa a ser acompanhado de forma estruturada ao longo do ciclo de vida do título.
Transparência: as informações tornam-se mais padronizadas e consistentes para todos os participantes envolvidos na operação.
O resultado esperado é um ambiente com mais segurança para empresas, instituições financeiras e demais agentes que utilizam valores a receber como instrumento de crédito.
O impacto na estratégia de crédito
Para grandes empresas, o tema não deve ser analisado apenas sob a perspectiva regulatória. Existe uma relação direta entre a qualidade das informações dos valores a receber e a eficiência das operações de crédito.
Quando formalmente registrados tendem a oferecer mais segurança para validação, negociação e utilização como garantia.
Isso contribui para processos mais estruturados, reduz fricções operacionais e fortalece a confiança entre empresas e instituições financeiras.
Em um mercado cada vez mais orientado por dados, a qualidade da informação passa a ter um papel tão relevante quanto o próprio ativo financeiro.
O risco de esperar
Embora a adesão ao novo processo do Banco Central ainda seja opcional, a preparação não deve começar apenas quando a exigência entrar em vigor.
Empresas que deixam a adequação para os momentos finais costumam enfrentar desafios relacionados a:
Ajustes operacionais simultâneos
Adequação de sistemas
Revisão de fluxos internos
Alinhamento entre áreas
Gestão de consentimentos
Integrações com parceiros do ecossistema
Antecipar esse movimento permite conduzir a transição com mais previsibilidade e menor impacto operacional.
Como iniciar a preparação
O primeiro passo é entender como a Duplicata Escritural impacta a realidade específica da sua empresa.
Cada organização possui características próprias relacionadas a:
Volume de direitos creditórios
Estrutura de crédito
Processos de cobrança
Sistemas utilizados
Estratégias de financiamento
A partir desse diagnóstico, torna-se possível estruturar uma jornada de adequação compatível com as exigências do novo modelo.
Nesse contexto, o consentimento para atuação em ambiente regulado torna-se uma etapa importante para viabilizar o registro das duplicatas e a utilização adequada das informações dentro das regras estabelecidas.
O papel da Serasa Experian e da CERC nessa transição
A Serasa Experian acompanha a evolução do mercado de crédito e entende que mudanças regulatórias exigem compreensão, preparação e adequação de processos operacionais.
Nosso papel é ajudar empresas a traduzirem um tema novo e de cunho regulatório em decisões práticas, apoiando organizações a garantirem operações mais seguras, eficientes e preparadas para o futuro.
A Duplicata Escritural representa uma nova etapa na evolução do mercado financeiro no Brasil. Quanto antes a preparação da sua empresa começar, mais estruturada tende a ser essa transição.
Fonte: Serasa Experian





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