Consumidores e empresas
- 5 de jan.
- 3 min de leitura
Inadimplência recorde e demanda por crédito em alta!

Em setembro, o número de consumidores inadimplentes no Brasil alcançou 79,2 milhões de CPFs negativados, renovando o maior patamar da série histórica. Cada CPF possui, em média, quatro dívidas, com valor médio de R$ 6.273,70, resultando em um ticket médio de R$ 1.584,42.
O volume total de dívidas atingiu R$ 496,7 bilhões, distribuído em mais de 313,5 milhões de registros, o que representa 48,5% da população adulta em situação de inadimplência. A maior concentração segue no setor financeiro, responsável por 46,8% das dívidas, especialmente em bancos e cartões, reflexo de condições de crédito mais caras, menor liquidez e maior pressão sobre o orçamento das famílias.
A demanda por crédito cresceu 15,6% no ano em setembro, com destaque para os consumidores de menor renda (até dois salários-mínimos), que têm recorrido ao crédito para recompor o orçamento e renegociar pendências. Entre os consumidores de maior renda, o avanço foi ainda mais significativo, com alta de 19,0% entre aqueles que recebem acima de dez salários-mínimos.
No setor empresarial, a inadimplência também segue em trajetória de alta, atingindo 8,4 milhões de CNPJs negativados em setembro, o maior número já registrado. O resultado representa crescimento de 21,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando havia 6,9 milhões de registros. O volume de dívidas chegou a R$ 201,7 bilhões, acompanhado por aumento no valor médio por operação.
Depois da queda pontual registrada em agosto, a demanda por crédito
empresarial voltou a crescer, registrando alta de 15,5% na comparação anual. O avanço foi puxado pelas micro e pequenas empresas, mais sensíveis às variações nas condições de crédito e que apresentaram incremento de 16,0%.
Entre as empresas de médio e grande porte, o crescimento foi mais moderado, de 0,04% e 3,1%, respectivamente. As concessões de crédito totalizaram R$ 693,3 bilhões em setembro. Após ajuste sazonal, houve alta de 1,2% no mês, com crescimento de 2,6% nas operações para empresas e avanço de 0,2% no crédito às famílias.
No acumulado em 12 meses, o volume total de crédito aumentou 10,8%,
impulsionado pelas operações corporativas, que cresceram 13,2%.
Apesar do aumento na demanda por crédito, um ambiente com orçamento mais apertado, a perspectiva para os próximos meses é de desaceleração já observada no ritmo de concessão, resultado direto do avanço da inadimplência e da elevação dos riscos percebidos pelas instituições financeiras.
A projeção para a demanda de crédito indica crescimento de 1,8% em 2025 e 1,6% em 2026, com sinais de acomodação diante de um ambiente macroeconômico mais restritivo.
Micro e pequenas empresas - Inadimplência e Crédito
Em setembro, 7,95 milhões de micro e pequenas empresas estavam inadimplentes, estabelecendo um novo recorde histórico. Esse número representa um aumento de 261 mil em relação a agosto e de mais de 1,4 milhão na comparação com setembro de 2024.
A indústria foi o setor com o maior aumento proporcional na inadimplência, com alta de 34,2% na comparação anual, seguida pelos
setores de serviços (25,5%) e comércio (13,4%).
Esse cenário reflete os efeitos de custos mais elevados, em um contexto de juros altos e menor oferta de crédito, o que tem contribuído para margens de lucro mais apertadas e maior dificuldade de acesso a financiamento, especialmente entre as pequenas indústrias.
As maiores variações regionais foram observadas nas regiões Norte, Sul e Sudeste, evidenciando a fragilidade estrutural dos pequenos negócios em manter a regularidade de suas obrigações financeiras.
Após a retração pontual observada em agosto, a demanda por crédito entre micro e pequenas empresas voltou a crescer com força em setembro, registrando alta anual de 16,0%.
Esse movimento reflete, em parte, a preparação para o último trimestre do ano, período tradicionalmente mais aquecido por conta de datas como a Black Friday e o Natal, que impulsionam o consumo e exigem reforço de estoques e capital de giro por parte dos pequenos negócios.
Além disso, o aumento da procura por crédito também está associado a uma retomada da confiança dos empreendedores, mesmo em um cenário de juros elevados.
Muitos negócios têm buscado financiamento como forma de manter operações, investir e se posicionar melhor para aproveitar o ciclo de vendas de fim de ano.






Comentários