Taxa de Câmbio
- 29 de mai.
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Dólar volta a subir em abril, com volatilidade ditada pelo cenário externo.

Após a volatilidade observada em março, o câmbio apresentou uma virada relevante ao longo de abril, com o dólar passando a operar abaixo de R$ 5,00 e encerrando o mês em patamares próximos a esse nível — movimento que não era observado desde 2024.

Diferentemente do mês anterior, abril foi marcado por um ambiente externo mais favorável para moedas emergentes, com enfraquecimento global do dólar e recomposição de fluxo para ativos de maior risco, favorecendo o real.
A combinação entre juros ainda elevados no Brasil, entrada consistente de capital estrangeiro e melhora nos termos de troca contribuiu para esse movimento.
Ao longo do mês, o dólar chegou a níveis próximos de R$ 4,95–R$ 4,97, acumulando queda relevante no período, ainda que com episódios de volatilidade ao longo do caminho.
Apesar do movimento de apreciação do real, a dinâmica cambial seguiu fortemente condicionada ao cenário externo. A evolução das commodities — especialmente o petróleo — e o noticiário geopolítico, com destaque para as tensões envolvendo o Irã, continuaram sendo determinantes relevantes para os fluxos e para a percepção de risco global.
Em paralelo, o ambiente doméstico também contribuiu para o fortalecimento da moeda, com o diferencial de juros ainda elevado sustentando a atratividade de ativos locais. No entanto, fatores como o avanço do calendário eleitoral e as incertezas fiscais seguem no radar e limitam uma apreciação mais estrutural.
Em síntese, abril marcou um movimento de apreciação relevante do real no curto prazo, mas sem alteração significativa do quadro estrutural. O comportamento do câmbio segue sensível à dinâmica global e à evolução dos fluxos internacionais, mantendo a leitura de volatilidade elevada à frente.
1.1. TAXA DE CÂMBIO

Para os próximos meses, projetamos um câmbio ainda condicionado ao ambiente externo, com o dólar podendo permanecer mais comportado no curto prazo, mas sujeito a episódios de volatilidade ao longo de 2026.
O movimento observado em abril reforça a importância do fluxo internacional e do ciclo global do dólar na determinação da taxa de câmbio, mais do que fatores domésticos isolados. Ainda assim, esse suporte não se mostra estrutural.
A trajetória à frente deve seguir sensível à evolução das condições financeiras globais, à política monetária norte-americana e ao comportamento das commodities — com destaque para o petróleo, em um contexto ainda marcado por tensões geopolíticas envolvendo o Oriente Médio.
No cenário doméstico, o início do ciclo de queda da Selic, aliado ao avanço do calendário eleitoral e às incertezas fiscais, tende a ganhar maior relevância ao longo do segundo semestre, contribuindo para um ambiente de maior oscilação.
Assim, embora o real tenha apresentado apreciação relevante no curto prazo, avaliamos que o câmbio deve voltar a exibir maior volatilidade ao longo do ano, sem caracterizar, neste momento, uma tendência estrutural de valorização.
Projetamos o dólar encerrando 2026 em torno de R$ 5,50, acima da projeção do boletim Focus em R$ 5,25.
Fonte: Boletim Serasa





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