Inflação
- 29 de mai.
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Inflação mantém alta em abril, com destaque para alimentação e combustíveis.

Em abril o IPCA registrou variação de 0,67%, acelerando frente ao resultado de 0,88% observado no mês anterior. Com esse movimento, a inflação acumulada em 12 meses avançou para 4,39%, acima dos 4,14% verificados anteriormente.
No acumulado do ano, o índice atinge 2,60%. No período, todos os grandes grupos que compõem o índice apresentaram variação positiva.

O resultado do mês foi impulsionado pela maior variação observada em Alimentação e bebidas e Saúde e cuidados pessoais. Em conjunto, esses dois grupos responderam por 67% da alta mensal. Transportes desacelerou na passagem de março (1,64%) para abril (0,06%), refletindo, sobretudo, a queda de 14,45% no subitem passagem aérea.
Ainda assim, no grupo Transportes, destacam-se os combustíveis, com variação de 1,80%. A gasolina desacelerou de 4,59% em março para 1,86% em abril, mantendo-se como o principal impacto individual no índice do mês, com contribuição de 0,10 p.p. Também se observam altas no óleo diesel, de 4,46%, e no etanol, de 0,62%.
Em resposta à intensificação das pressões sobre os combustíveis, o governo anunciou um pacote de medidas com o objetivo de amortecer o repasse da alta do petróleo aos preços internos, incluindo subsídios temporários ao diesel, desonerações tributárias e ações de suporte ao setor aéreo.
As iniciativas tendem a reduzir parcialmente os impactos inflacionários no curto prazo, sobretudo por meio dos custos de frete e das passagens aéreas.
Em Alimentação e bebidas, a variação de 1,34% no mês contribuiu de forma relevante para o aumento do índice geral.
A alimentação no domicílio subiu 1,64%, enquanto a alimentação fora do domicílio avançou 0,59%, ambas também influenciadas pelo aumento dos preços dos fretes, refletindo a dinâmica dos combustíveis.
Os demais grupos exibiram variações mais contidas, ainda que com alguma aceleração pontual ao longo do período. Habitação avançou 0,63%, enquanto Artigos de residência (0,65%), Vestuário (0,52%), Comunicação (0,57%) e Despesas pessoais (0,35%).
Já Educação apresentou pequena variação (0,06%), refletindo o efeito base após
as altas observadas no início do ano letivo.

1.2. Taxa de Inflação

O IPCA de abril trouxe uma deterioração clara do cenário inflacionário, com aceleração disseminada entre os principais grupos. A inflação acumulada em 12 meses voltou a subir, refletindo pressões mais intensas em alimentos no domicílio, bens industrializados e combustíveis — estes últimos já capturando os efeitos do conflito no Oriente Médio.
A alta expressiva da gasolina e do diesel, reforça o risco de repasses secundários ao longo da cadeia produtiva, via custos logísticos e insumos.
Ao mesmo tempo, os preços dos alimentos continuam sujeitos a fatores climáticos adversos,
com viés altista adicional nos próximos meses.
Diante desse conjunto de informações, incorporamos a surpresa inflacionária ao nosso cenário base e revisamos a projeção para o IPCA no fim do ano para 5,0%. O ajuste reflete principalmente a reprecificação do choque de energia e a piora da composição inflacionária no início do ano, fatores que tendem a tornar mais lenta a convergência à meta.
1.2. Taxa de Juros
Expectativas para os próximos passos do Copom seguem marcadas por cautela.
Após dar continuidade ao ciclo de flexibilização monetária com um segundo corte de 0,25 p.p., a Selic atingiu 14,50% a.a., reforçando a leitura de um início de ciclo gradual e cauteloso.
A comunicação do Copom segue destacando a dependência dos dados e a necessidade de avaliar, com parcimônia, os desdobramentos do cenário doméstico e, sobretudo, do ambiente externo.
O ritmo moderado observado até aqui indica que o Comitê busca preservar flexibilidade, diante de um balanço de riscos ainda desafiador.

Na comunicação mais recente, o Banco Central reforçou que, embora o ciclo de cortes tenha sido iniciado, o avanço deverá ocorrer de forma gradual e condicionado à evolução do cenário.
A persistência de incertezas externas segue como um dos principais vetores de atenção, com preocupação acentuada em relação à escalada de tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã, que pode pressionar preços de petróleo e outras commodities, contaminando a dinâmica inflacionária global.
Esse ambiente, somado ao comportamento ainda desancorado das expectativas de inflação, limita a visibilidade sobre o ritmo dos próximos movimentos.
A próxima reunião do Copom está prevista para os dias 17 e 18 de junho de 2026, e as expectativas captadas pelo Boletim Focus indicam a continuidade do ciclo de flexibilização, com novo corte de 0,25 p.p. na Selic.
Ainda assim, a dispersão das projeções permanece elevada, refletindo a leitura de que o ritmo dos ajustes seguirá condicionado à evolução das expectativas de inflação, ao cenário externo e à dinâmica dos preços de commodities.
Fonte: Boletim Serasa





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